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Uma pequeníssima história ficcional

Ele estava ali, parado na porta daquela nova casa, um jovem, com cabelos castanho-escuros bagunçados, barba por fazer e um pesado casaco bege. Os tons amarelados do sol de uma tarde monótona que já ia pela metade banhavam todo o cenário. Havia uma cerca viva na frente do pequeno quintal que fronteava a modesta e bonita casa, de paredes brancas e telhado marrom, casa essa rodeada também de outras casas, em um bairro residencial. O garoto, de seus vinte e poucos anos, expressava um meio sorriso no rosto, enquanto ficava ali parado com as mãos no bolso do casaco observando o lugar. Passados uns poucos minutos ele decidiu finalmente entrar, sacou as chaves de um dos bolsos enquanto a outra permanecia no lugar, abriu a porta vagarosamente e entrou. Jogou as chaves de qualquer jeito sobre um pequeno móvel e se lançou no sofá que ocupava o meio da sala. De um lado escadas subiam ao segundo andar, uma mesa e uma cadeira se encontravam no lado oposto, sob a janela, defronte ao sofá. Finas cortinas deixavam passar um pouco do tom amarelado do dia la fora, deixando todo o cômodo com um mistura dos tons amarelos do dia e marrons dos móveis de madeira. Ali ele permaneceu, deitado no sofá, com um dos braços sobre a testa, olhando para o teto, imerso em seus pensamentos durante mais alguns minutos, até que fechou os olhos, cobriu-os com as mãos, se sentou, e, por fim, pôs-se de pé. Andou até a mesa, sobre a qual havia um pequeno caderno de capa preta e um porta-lápis com uns poucos lápis, canetas, uma borracha e um apontador. Abriu o caderno, folheou algumas páginas enquanto se apoiava sobre a mesa, sorrisos agridoces e um olhar marejado perpassaram o seu rosto, em seguida ele pegou o porta-lápis, virou o seu conteúdo sobre a mesa com um certo cuidado e então o jogou violentamente contra uma das paredes, causando um estampido com a colisão. Ele puxou a cadeira desajeitadamente e se sentou, apoiou os cotovelos na mesa e cobriu mais uma vez o rosto com as mãos, quando as retirou, os olhos mais marejados do que nunca, pegou uma lapiseira, abriu o caderno em uma página em branco e se pôs a escrever.

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