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Sonhos acontecem(?)

Eu acredito que eu posso dizer, com uma boa dose de certeza, que eu sempre fui um cara sonhador. Bem, ao menos até agora. Estava aqui remoendo esse tema mais uma vez e acredito que reuni algumas observações que posso compartilhar com vocês. 

Há algum tempo atrás eu assisti um filme chamado “O lado bom da vida”, uma adaptação do livro de mesmo nome, que eu acabei lendo algum tempo depois. Aviso: leves spoilers sobre a história nesse parágrafo. O próprio título do filme/livro é interessante, pois o personagem principal acredita firmemente no “lado bom” das coisas, mesmo com todas as adversidades da sua vida (e acreditem, estas são muitas). Não preciso dizer que, como cara sonhador que sempre fui, me identifiquei com o personagem de cara. Na época eu preferi o final do filme (não, eu não vou contar o final), por ser mais alegre que o do livro, hoje em dia eu fico pensando sobre isso. Na história, o protagonista diz não gostar de muitos dos clássicos literários, por possuírem finais tristes, uma outra personagem argumenta que isso é bom para que as pessoas entendam as dificuldades da vida. Novamente, não preciso dizer que odiei a visão dessa personagem, pois acreditava firmemente no poder motivador de uma história com final feliz.

Mudando um pouco de assunto, esses dias eu pesquisava sobre a história da autora J. K. Rowling, autora da série de livros “Harry Potter”, pois, pra quem não sabe, ela também passou por problemas relacionados à depressão e desde que eu fiquei sabendo desse fato, sia história se tornou muito inspiradora pra mim. No artigo que eu lia dizia que ela chegou a precisar de auxílios do governo e que a sua história de vida poderia ser considerada uma história de “dos trapos à riqueza”, em uma tradução livre, que, segundo o próximo artigo que eu li, é um arquétipo literário de personagens que saem da pobreza ou do anonimato para a riqueza ou o sucesso. Esse mesmo texto dizia também que esse arquétipo é criticado por algumas pessoas, que dizem que esse tipo de história pode ser uma forma de “controle das massas”, fazendo as pessoas acreditarem que qualquer um pode trilhar esse caminho se tiverem um determinado conjunto de habilidades, etc. Era algo mais ou menos assim, pois, na verdade essas histórias seriam muito mais raras na vida real, acredito que essa era a crítica.

Bem, vamos à última peça do quebra-cabeças. Eu sempre fui um grande entusiasta do empreendedorismo, ter o meu próprio negócio, ser o meu próprio chefe... Isso sempre foi de certa forma algo como um sonho pra mim, e, os incentivadores desse ramo, geralmente argumentam de forma semelhante à apresentada acima: de que qualquer um pode “chegar lá” se fizer as coisas direito. Ora, eu, acredito, sempre fui centrado de certa forma, sabia que existiam pessoas em situações muito ruins pelo mundo e, essas, infelizmente não teriam essa chance, muito provavelmente. Mas, o meu lado sonhador, como disse no começo, ainda me fazia acreditar que a maior parte das pessoas, por mais difícil que fosse, ainda poderia ter uma chance.


Pois bem, agora vamos amarrar esse emaranhado de pensamentos que eu criei. O fato é que, se eu for totalmente sincero com vocês, muito desse meu lado sonhador não morreu, ainda está aqui, apenas cansado talvez ou “fazendo birra”. Entretanto, o meu lado realista grita pra que eu pare de ser assim, sonhador, pare de acreditar que sonhos acontecem. Cada vez mais eu compreendo esses argumentos realistas que eu apresentei a vocês no texto, e vejo ainda mais beleza no “Silver linings playbook” (nome original de “O lado bom da vida”): Um personagem tão sofrido que ainda consegue tentar extrair o lado bom das coisas, e uma história que, ao mesmo tempo em que é realista, também incentiva (de certa forma) esse olhar motivador e otimista. Perdoem se eu criei em vocês a expectativa pra uma resposta sobre o assunto, se eu posso criar uma conclusão entretanto, é que de minha parte eu tenho estado muito mais amargo e talvez cético sobre esse ponto, ainda acredito, pois sou um homem de fé, mas que talvez compreenda melhor as nuances do mundo em que vivemos, e além disso, se você acredita nos seus sonhos, eu não poderia jamais te incentivar a desacredita-los, há uma beleza enorme nisso, a qual eu não sou louco de tocar. Sendo assim, por mais que o meu lado realista esperneie, eu não poderia deixar de dizer, se você acredita em seus sonhos, continue a acreditar.

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